21.12.09

Dicas saborosas

Estou aqui completando meu nono mês de gestação esta semana e me dei conta de que com todos os preparativos finais para a chegada do Arthur deixei o blog meio de lado. Aliás, segundo a minha amiga Kati eu estou parindo e não percebi:) Como se isso fosse possível:)

Enfim, há algumas semanas venho querendo compartilhar algumas dicas de locais bem bons para se comer em Toronto e que nos foram apresentados por nossos amigos e vizinhos Veka e Cleber. A Veka nos deu a excelente dica da Lebanese Bakery. Para quem é um apaixonado por quibes e esfirras como eu, o local, é um templo da perdição, além de ser limpo, aconchegante e tudo ser muito saboroso por lá! Dá até para comer lá pois tem umas mesinhas simpáticas. Para quem gosta dos doces libaneses também é uma ótima pedida. Se você mora em Toronto precisa experimentar!

Outra excelente dica nos foi passada pelo vizinho Cleber. Trata-se do Cora que também testamos e aprovamos. O local é ótimo para um brunch naquele domingo que você acordou bem tarde e já passou da hora do café da manhã mas ainda não tá na hora do almoço. Se você fizer como nós e for em um domingo por volta das 11 da manhã vai encontrar uma certa espera mas que não demora tanto para sentar. Uma delícia!

E para terminar, na quinta que passou foi meu aniversário e o marido me levou para almoçar no Paisanos. Um aconchegante restaurante italiano com o mais delicioso bife à parmegiana que eu já comi por essas bandas, ambiente gostoso e preços muito honestos e razoáveis.

É isso. Bom apetite e boa semana natalina à todos!

30.11.09

Aprendendo a parir

Semana passada terminamos o curso prenatal no hospital onde o Arthur vai nascer. Mais uma das boas e positivas experiências que tenho tido durante toda a minha gestação aqui no Canadá. O povo vem pedindo para que eu as relate aqui. Aos poucos, conforme elas forem acontecendo prometo que venho aqui contar. Afinal de contas, parir em uma pátria que não te pariu (não resisti ao trocadilho:) trata-se de uma experiência e tanto! Mesmo que não raras vezes, enquanto imigrante e cidadã do mundo, me pego sentindo como em uma letra dos Titãs que diz nenhuma pátria me pariu"...

Resolvi apelidar o cursinho de "aprendendo a parir":) Como se isso fosse possível! Mesmo ainda não tendo parido, tenho que concordar com a enfermeira e com os "trocentos" livros e revistas sobre gravidez e parto que já li nestes quase nove meses de gestação. São unânimes em afirmar que não há parto igual ao outro e cada mulher, que por sua vez tem o corpo diferente da outra, vivencia o trabalho de parto de uma maneira totalmente diferente da outra. Tá, então o que há para ser ensinado? Toda a teoria e as características em comum claro!

O que mais eu tenho amado de poder ter o privilégio de vivenciar a minha gestação aqui no Canadá é o fato de toda a cultura daqui estar voltada para o parto normal. É fantástico o esforço que os profissionais de saúde (obstetras, parteiras, enfermeiras, clínicas, hospitais) e também da mídia fazem em torno de auxiliar a mulher a ter a melhor e mais normal experiência de parto possível! Disse dia desses ao meu marido que eu nasci para parir aqui! Claro que sei que sempre pode haver a necessidade de intervenções como a cesária e outras cositas, entretanto é muito bom saber que aqui , ao menos no hospital que vou parir, tudo é feito antes para evitar tais procedimentos.

Daí o foco todo do cursinho ser o ensinamento de técnicas (as quais algumas delas já sou bem treinada como por exemplo meditação e controle de respiração devido à prática de kung fu no passado e o meu envolvimento com filosofias do budismo) para o controle da dor, além de melhores posições e atividades a serem praticadas na hora das contrações. Enfim, uma arte do controle do corpo em um momento tão sublime!

Muito do que foi dito em 3 dias de cursinho eu já havia lido na minha compulsão por leitura (não importando o momento da minha vida), entretanto o que foi muito válido foi o fato de termos feito o tour pelo hospital e simulado tudo que vai ser feito quando chegarmos lá para parir. Sendo mãe de primeira viagem isso só nos dá uma segurança maior e a certeza de que eu não poderia ter escolhido lugar melhor para viver esta rica experiência.

Ok, tá bom, para não dizer que eu não tenho nenhuma reclamação aí vai. O estacionamento do hospital é um ROUBO, um assalto à mão armada e no nosso caso que precisariamos passar várias horas por causa do curso e ainda vamos precisar quando formos parir, ficamos pensando em uma estratégia. Bem, que o hospital não nos ouça, mas o estacionamento da IKEA (que fica a 5 minutos de caminhada até o hospital) tornou-se nosso estacionamento oficial todas as vezes que precisamos ir para o hospital. Afinal de contas a enfermeira vive falando da importância em caminhar para a gestante, mesmo tendo contrações, para ajudar na hora do parto. Voilá, dois coelhos em uma cajadada só.

Ah, e se vocês pensam que foi nossa a brilhante idéia, estão enganados. Em princípio, estávamos hesitantes em deixar o carro lá sabendo que a loja fecha as 9h30 da noite e o curso acabaria mais tarde. Bastou apenas um bate papo com os casais canadenses que estavam no mesmo curso, todos consternados com o preço do estacionamento do hospital, para termos a certeza de que a melhor saída era mesmo deixar o carro lá e sem problemas nenhum em pegar de novo mais tarde. Todos fizeram isso! Foi muito engraçado, até a enfermeira concordava com a expressão corporal mas obviamente não podia recomendar tal façanha enquanto funcionária do hospital.

Como vocês podem perceber o novo slogan da IKEA para nós aqui em casa é "IKEA love your home ... and your pocket!" Ah, quanto ao peso na consciência ao ler a placa do estacionamento da IKEA dizendo que é para clientes, quem é imigrante aqui em Toronto sabe muito bem o quanto somos todos clientes da IKEA desde o nosso primeiro dia aqui em Toronto quando chegamos com duas malas e temos a casa para montar e pouco dinheiro no bolso! Santa IKEA!

16.11.09

Quando você é parte do grupo de risco

Para os que moram no hemisfério sul do globo, o pior já passou com o fim do inverno e a chegada das temperaturas mais amenas. Já para os que como nós habitam o hemisfério norte do globo, a temporada de resfriados, gripes e agravamento de doenças pulmonares está só começando com a proximidade do inverno e consequente baixa nas temperaturas.

Até aí nada de novo, isso acontece todos os anos. Não fossem 3 pequenos detalhes combinados (no meu caso ao menos) : a circulação do virus da H1N1 (vulgo gripe suína) no mundo todo, o fato de eu estar grávida de 8 meses e de que vou parir na estação mais fria do ano (que tem lá suas vantagens do ponto de vista gestacional como a ausência total de inchaço e desconfortos relacionados a ele), e eu estaria agindo como sempre agi na minha vida, mesmo quando morava no Brasil.

Todos os anos tomava a vacina da gripe "normal" por assim dizer e seguia minha rotina sem nunca ter pego a gripe. Sempre acreditei que quando o assunto é saúde o resto todo perde importância. Os meus pais sempre me ensinaram que se tem uma área que não se deve menosprezar na vida é com médicos e cuidados com a nossa própria saúde, qualidade de vida e coisa e tal. Talvez seja por isso que acredito serem os enfermeiros, médicos e profissionais da área de saúde aqueles que exercem as funções mais nobres e dignas e, portanto, merecedoras do meu mais profundo respeito e consequente confiança.

Não me entendam mal, quando eu falo que valorizar a saúde e respeitar e confiar nas recomendações de profissionais para mim é como uma religião, entendam saúde como a "ausência" de doença, portanto não sou nem de longe uma maníaca por remédios e coisas do gênero, ao contrário!

Enfim, com todoo cenário da gripe H1N1 literalmente esquentando as baixas temperaturas por aqui eu coloquei como prioridade conversar com o meu obstetra à respeito. Não precisei. Dia 25 de outubro, mais ou menos quando o governo começou a vacinar os grupos de risco, recebi a ligação do consultório do meu obstetra orientando todas as grávidas com mais de 20 semanas de gestação (eu já estou na 33 semana) e que vão ganhar neném (como se diz na minha terra) no North York General Hospital a comparecerem no hospital no dia 30 de outubro para tomar a vacina contra a gripe. Não hesitei um segundo!

Que alívio! Afinal não é fácil passar uma gestação inteira com a preocupação de evitar pegar uma gripe que possa causar danos graves ao meu filho e a mim mesma. Nunca fui neurótica com estas coisas, sempre procurei agir da maneira mais racional possível mas confesso que estar grávida diante de algumas circunstâncias nos faz ficar mais medrosas. Daí o meu alívio em saber que tomaria a vacina.

Hoje, 17 dias depois de vacinada, imunizada (e alividada!), posso dizer que estou muito mais tranquila e que a vacina não causou efeito colateral nenhum nem em mim e nem no meu bebê que está ótimo e cresce a cada dia. Ponto para o hospital onde o Arthur vai nascer que, organizadamente, tomou esta iniciativa e tratou suas grávidas com respeito e carinho.






9.11.09

20 anos da queda do Muro de Berlim

Em 2002, durante um mochilão que eu e o marido fizemos pela Europa, tive o privilégio de conhecer Berlim, uma das mais belas cidades que já visitei mundo afora!

E claro que nesta viagem não poderia faltar a visita aos restos do muro de Berlim. Fomos também ao que foi o campo de concentração em Dachau, visitamos o CheckPoint Charlie e muitos outros locais relacionados ao período em que havia duas Alemanhas.

Sempre guardarei excelentes recordações desta viagem fantástica que fizemos mas esta semana, por conta das celebrações mundo afora dos 20 anos da queda do muro de Berlim, refiz todo o trajeto mentalmente e foi como se estivesse lá de novo. Não bastasse isso, o UOL entra em contato comigo pedindo autorização para publicar uma foto minha (tirada pelo marido fotógrafo em 2002) em frente aos restos do muro grafitado.

Autorização concedida e eis o resultado nesta bela galeria de fotos que o UOL montou com imagens deste ícone que é o muro de Berlim. Já deixei aberto na nossa foto (sim, sou eu mesma aí de casaco preto, cabelos longos e 7 anos menos experiente:) Vale conferir! E viva a queda!

Nossas preciosas recordações do Muro de Berlim:



21.10.09

De volta para casa

Após curtir muito o carinho dos familiares e de bons e velhos amigos no Brasil, estamos de volta para casa. Eu, o marido e o Arthur que terça que vem completa sete meses de vida no meu ventre! Voltamos felizes, descansados e com todas as baterias recarregadas para a reta final da espera pelo Arthur.

Apesar de ser muito bom passear e estar perto de pessoas muito especiais, voltar para casa é sempre melhor ainda. Ir é bom e voltar também. Assim como a bela canção de Vinicius de Moraes diz que depois da chegada vem sempre a partida, eu concluo que sempre que aproveitamos cada minuto do presente como se fossem únicos não carregamos conosco o amargor da nostalgia mas sim a felicidade dos momentos vividos. O meu momento agora é cuidar da minha vida e preparar tudo para a chegada do meu filho - magia pura!

Este post é uma homenagem aos especiais e queridos amigos e familiares que fizeram de nossa estada no Brasil uma experiência inesquecível. Ai vai um resuminho de momentos que foram vividos como sendo únicos para que outros sempre venham.

14.9.09

3 anos de Canadá

O tempo não anda para trás. A mente é que possui uma capacidade inesgotável de lembrar o que passou e, para tanto, não categoriza. Lembra o bom, o ruim, o feliz, o angustiante...Enfim, revive. Claro que nossa vontade ajuda a deflagrar o que estava guardado disparando as sinapses que nos interessam mais.

Eu particularmente nunca fui muito de datas e rituais formais. Não é de hoje. A última celebração mais formal de uma data específica que me lembro ter participado foram os meus 15 anos. Nada contra grandes e mais formais celebrações, acho até bonito - para os outros. Choro em casamentos de amigas minhas e conhecidos mas eu mesma casei apenas no civil e de lá segui direto para a minha lua de mel (ah, essa sim valeu!). Participo de formaturas e continuo achando lindo, mas em todas as minhas formaturas eu nunca quis participar dos momentos solenes. E nunca participei.

Sou assim. Prefiro achar que todo dia tem algo de muito especial que vem junto com eles e que observo à minha volta quando sinto o cheiro da flor, caminho em meio às arvores, vejo o sorriso de uma criança e sou acolhida no abraço de quem me ama. Sou mais o viver o dia a dia como se fosse o último do que ficar celebrando em excesso determinadas datas em um específico dia pré-determinado.

No entanto, há uma data que eu faço questão de celebrar e lembrar sempre! Ah, essa é sagrada. O tempo de vida que tem o nosso projeto de viver no Canadá. E hoje é o dia em que, há três anos exatos, aterrisávamos no Pearson (o aeroporto de Toronto) para arriscar, sonhar, chorar, sorrir, apostar, acreditar, crescer, aprender, ensinar, tropeçar, cair, levantar e cair de novo. Enfim, viver a mais enriquecedora de todas as experiências de nossas vidas - a imigração.

E como vivemos! E ainda estamos vivendo firmes e fortes na certeza de que fizemos a coisa certa. Aí você se pergunta se a coisa certa é imigrar para o Canadá. E eu respondo não! A coisa certa é seguir os seus mais profundos desejos mesmo que para isso você precise enfrentar enormes dificuldades e ser feliz por estar vivendo o que você escolheu para si e não o que lhe foi impingido!

Estar feliz por saber que, mesmo que a caminhada seja longa (e ela é), os primeiros passos foram tomados e não prorrogados. Que mesmo tendo tropeçado muito no início, a estrada vai ficando menos tortuosa com o passar do tempo. Que mesmo que a saudades de familiares e queridos amigos seja sua eterna companheira, seus entes queridos (aqueles que de fato te amam) estão felizes por saber que você está escrevendo a sua história!

E sempre lembrando que, ao contrário do tempo que não anda para trás e a montanha que insiste em ficar lá parada (como canta meu eterno ídolo Arnaldo Antunes), nós temos a obrigação de continuar escrevendo o nosso enredo de acordo com a melodia que mais nos encanta ao coração. Por isso, vamos pegar as sementinhas que plantamos nestes últimos 3 anos de Canadá e trabalhar duro para que elas um dia gerem frutos nessa vida que escolhemos para nós. Mesmo que para isso tenhamos que esperar os mesmos 10 anos que o pé de jaboticaba do quintal dos meus pais demorou para dar os primeiros frutos. Resultado : hoje, 24 anos depois, o pé continua lá dando belas e doces jaboticabas... Sempre!

Feliz aniversário de 3 anos para nós!

1.9.09

Férias de imigrante

Estive pensando. O estado de ser imigrante deveria estar catalogado entre as profissões como engenheiro, médico, enfermeiro e assim por diante. E, regulamentado como tal, o imigrante "profissional" deveria, obrigatoriamente, gozar de férias frequentemente para manter sua sanidade mental em dia. Claro que as regras deveriam ser claras, como já diz Arnaldo Coelho, ou seja, em dois anos na carreira de imigrante a obrigatoriedade de férias pelo menos uma vez por ano e a partir de 3 anos na labuta, duas vezes por ano e assim sucessivamente.

Quanto mais tempo na carreira de imigrante mais importante para a sanidade mental do imigrante sair de férias. Detalhe importante da nova lei promulgada por mim : o destino das férias não pode ser qualquer um mas sim o país de origem do imigrante em questão. Portanto, no caso de brasileiros imigrantes espalhados mundo afora o destino: Brasil. Sim, porque não se trata apenas de visitar locais nunca dantes navegados ou explorar novos destinos, situações e culturas. Lembrem-se, isso o imigrante faz todos os dias em sua carreira exploradora e muitas vezes sofrida.

As férias neste caso seriam de um estado mental e emocional de ser imigrante que , por mais que o tempo passe e o mesmo se adapte à tudo em sua volta, lá onde ele está, em qualquer que seja a parte do mundo longe de suas origens, ele sempre será imigrante! Aos pouquinhos cresce, adquire mais conforto, faz amigos e as coisas vão melhorando mas mesmo assim, eternamente o estado de espirito está lá.

Aí, o imigrante volta para o seu local de origem para passear. E essa sou eu agora, gozando de merecidas férias do estado mental de imigrante na minha terra natal. Prestes a completar 3 anos na carreira de imigrante (dia 14 de setembro mais especificamente), revigoro meu espírito quando ando pelas ruas de uma pequena cidade do interior de SP que, mesmo vindo uma vez por ano, as referências todas de minha vida pré - imigrante estão lá. Além, é claro de pessoas que (aqui estou excluindo familiares e amigos. As chamaria de conhecidos) fizeram parte de toda a minha história e até hoje, não importa quanto tempo fico longe, tratam-me com o mesmo carinho e sorriso no rosto de outrora. Isso revigora, dá forças e energia para, no pós férias, voltar para a carreira de imigrante.

Quem já imigrou, está ao menos um ano longe de suas raízes e já gozou de suas férias de imigrante, sabe bem a diferença entre a atmosfera vivida pelo "profissional" imigrante em sua árdua batalha mas que nem por isso deixa de ser prazerosa por vezes, e aquela vivida em sua terra natal, independente do tempo de "profissão" .

Sim, gozo de férias no Brasil neste momento e vivencio como se fossem os últimos cada momento vivido onde não sou apenas mais uma imigrante mas sim alguém com história, passado, referências. Não que andar para frente, explorar e ter planos não sejam importantes mas é que isso, uma vez que se é imigrante, faz-se a cada segundo por todo sempre e, pelos primeiros 5 anos apenas construindo alguma história, ou seja, sem passado no local escolhido. Aí , naturalmente faz falta voltar de vez em quando para onde você enxerga no rosto do outro o que outrora passou.

E claro, sem falar em quão revigorante é dar uma passadinha na feira para comer um pastel, bater um papo descompromissado no boteco da esquina, molhar a horta, sentir o cheiro da terra e viver o momento das férias para, no retorno , continuar a enriquecedora mas muitas vezes desgastante "profissão" de imigrante!